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VISITA DE ESTUDO A CRACÓVIA, POLÓNIA 22,23,24,25 ABRIL 2017

Publicado a 02/05/2017, 01:58 por Sandra Gonçalves   [ atualizado a 02/05/2017, 08:25 ]
 


















"Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro"

"Eu fui atingido no rosto com minha vida pessoal. Minha formação. Minha condição judia. As histórias que meus avós me contaram sobre a Shoah. E a vida judia começou a afluir de volta para meu coração. Eu chorei o tempo todo."

— Steven Spielberg sobre seu estado emocional durante as filmagens de A Lista de Schindler

Começou assim. Um filme: A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Filmado em 1992-93 em locais verdadeiros ou adaptados da cidade de Cracóvia. Foi assim que surgiu a ideia de um dia ir à origem ver os locais do filme e ver os locais onde pereceram mais de um milhão de pessoas, em particular de Judeus (1939-44).

O entusiasmo dum professor, Pedro Jorge Ferreira, que nos contagiou desde logo, no grupo disciplinar. Vamos! Todos queremos ir e aprender mais. Vamos finalmente visitar locais de memória tão especiais.

Será que arranjamos alunos? Quem poderá ir? Quem organiza? Quem pode pagar?

Tudo se conseguiu. Documentos, autorizações, cartões de saúde e outros. Algumas reuniões, vários meses de preparação e lá vamos nós. Quarenta e uma pessoas, vinte e seis alunos do Externato de Penafirme, sendo a maioria do 9º ano, três alunos do 11º LH2 e uma aluna do 12ºLH2.

Acompanhados pelos professores: Padre Carlos Silva, Pedro Jorge Ferreira, Ana Maria Manteigas.

Madrugada de 23 de abril, 3.30h da manhã, reunidos à espera do autocarro. Aeroporto, formalidades, e já está! Alguns a realizar o primeiro voo, a primeira saída de casa sem os pais.

-Vamos contar a ver se estão todos. (Esta foi a frase mais repetida nestes dias).

Lisboa-Francoforte-Cracóvia. Chegada pacífica.

Visita aos locais de memória do Holocausto: AUSCHWITZ-BIRKENAU.                                      

Campo de Concentração-campo de trabalho-campo de extermínio: Local carregado do Silêncio.

ARBEIT MACHT FREI! O TRABALHO LIBERTA.

Passar o portão, ouvir as passadas nas pedras, sentir o frio que nos orienta para outras emoções.

 Para que a Memória e as Vivências do que aqui aconteceu não sejam esquecidas, mas também não sirva como vingança, apenas como sinal da enorme fraqueza que é ser Humano.

Cada um de nós vivenciou de forma diferente. Pela idade, pela experiência de vida, pelo conhecimento pessoal ou coletivo de experiências de dor.

Em particular os locais assinalados como as celas de fome e de tortura onde podemos homenagear São Maximiliano Kolbe.

Arame farpado: Por cada um que tentasse fugir, outros dez eram condenados à morte!

Fornos crematórios para fazer desaparecer os corpos dos mortos.

A forca para dar o exemplo.

A parede de execução, para garantir a ordem total.

As câmaras de gás, onde se podiam matar milhares.

Os objetos pessoais abandonados, centenas de pincéis de barbear, escovas de cabelo, potes, frascos, malas, sapatos até ao mais íntimo e pessoal como o cabelo, as roupas sujas e ofensivas da condição humana.

As caras reproduzidas nas imensas galerias de fotografias, as caras que nos desafiam a olhar e a pensar, a rezar, a fiar colado ao chão, a não saber dizer nada.

O frio gela-nos e cola-nos aos casacos. O frio interior é maior.

O ser humano é capaz das maiores atrocidades, ontem como hoje.

BIRKENAU-campo de extermínio.

O completo despojamento do ser Humano, a total perda de direitos (fome, trabalho excessivo, falta de higiene, falta de conforto mínimo, humilhação física e psicológica).

CRACÓVIA, cidade de mil encantos, desde a idade Média até ao século XXI. Património da UNESCO, 1978.

Cidade multicultural, muito focada nos Judeus que viveram até à segunda guerra mundial e nos cristãos que permanecem com as suas imensas Igrejas dedicadas a vários Santos. Terra onde esteve e viveu São João Paulo II (esteve quatro vezes em Portugal).

Do Bairro Judeu com séculos de existência, condenado à extinção nazi em 1940.Sinagogas, mercados, belos edifícios que ficaram para a memória dos tempos. Para os cerca de 68000 judeus de então, hoje apenas 200 residem em Cracóvia.

A Marcha dos Vivos da atualidade, em memória dos que partiram sem vontade própria para a morte inevitável.

Sinagogas vivas, abertas a todos os que querem celebrar, fazer silêncio, orar. Túmulos de rabis (Remu) e de sábios, onde se coloca o pedido especial. Praça a assinalar os que desapareceram (68 cadeiras, uma por cada mil).Farmácia do Justo Tadeusz PanKiewicz. Fábrica de Schindler.

O Gueto de Cracóvia e os locais do filme de Spielberg, os pátios, as casas, as ruas.

O museu da memória construída, Museu Judaico Galícia (zona do sul da Polónia).

A colina de Wawel, castelo e catedral. Ruas, jardins, Universidade. Copérnico.

Wadowice e São João Paulo II. Terra pequena apenas assinalada pelo facto de ter visto nascer e crescer um filho muito amado da Polónia e do mundo, Karol Jösef Wojtyla.

Igrejas, capelas, criptas, torres, sinos, ruas mágicas, gente limpa e bem organizada. Uma terra que nos fica no coração.

Havemos de cá voltar!

Em nome do grupo, Ana Maria Manteigas